quarta-feira, 27 de outubro de 2010

É incrível a forma como os teus olhos profundos e sofredores me passam uma paz infinita.
É bom partilhar os meus momentos com a tua paz.
É bom fazer-te sorrir com histórias sem nexo.

E mesmo sem o teu outro lado, a casa continua quente e acolhedora;
Albergando a alma que não em juízo e que tu amas sem fim.

Nem tenho palavras para a dimensão da tua bondade,compaixão e calma.

Admiro-te, velhote.
A minha mente pede: Silêncio.

É tardíssimo e acordo cedo.
E quem tarde se deita e cedo se ergue... bem, não dá grande resultado.

Pena que o tempo exista nesta nossa sociedade acelarada.
Porque na verdade, o tempo não existe.
É outro conceito como os demais.

Irei agora dar à minha mente o que ela pede: Silêncio.
Ou pelo menos, dar-lhe-ei aquilo que entendo por silêncio...
Os sonhos serão silêncio, hoje.

sábado, 23 de outubro de 2010

Estou cheia de sono e a digerir todas as novidades da minha vida.

Sinto-me como se tivesse a boca cheia de rebuçados e não tivesse tempo de os saborear um por um.
Mal faço a festa devido a uma circunstância, logo a seguir há outra circunstância digna de festejo.
Mas a sensação é tão boa...

Lua Cheia...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ando sem tempo nenhum.
Mas sinto-me em casa, sinto-me cheia de vontade e de energia, porque a recompensa é algo de muito bom.

Aconchega-me o espaço gigante do ginásio onde dou aulas e o carinho das minhas alunas;
Aconchega-me o auditório das aulas teóricas na faculdade;
Aconchegam-me os poucos minutos debaixo de um chuveiro com água morna;
Aconchega-me o incenso do meu quarto e as almofadinhas de alfazema.
Sinto-me aconchegada, amada.
O meu tempo livre escasseia; mas vale a pena, oh se vale...

domingo, 17 de outubro de 2010

Hoje é um dia especial.

É especial porque os meus lábios reconheceram os teus, numa tarde de Dezembro, num reencontro há tanto esperado.
Esse beijo, foi o final de um sufoco, que permanecia ao acordar, depois de vislumbrar a tua silhueta nos sonhos.
E cada beijo é uma carícia da tua presença, uma prova da nossa vontade, um suspiro da eternidade, o veneno que me levará no dia em que te fores.












Amo-te.

sábado, 16 de outubro de 2010

16 de Outubro 2010
1 ano

Ritual interior, limpeza.
Lágrimas de saudade do corpo físico...
Amor, Carinho, Nostalgia.

Gostava de poder estilhaçar-me no tempo e no espaço, para te abraçar fortemente uma vez mais.
Sentir o som da tua voz a embater-me nos tímpanos e de seguida sentir-me reconfortada com a tua presença.
Recordo-me todas as noites daquele teu jeito tão teu que me fazia sentir completamente em paz comigo e com o mundo. Dos teus sorrisos e das festas que me fazias na cabeça, a fim de sublinhares todo o Amor e  apoio que tinhas para dar.
Sinto a tua falta e não consigo evitar as lágrimas...

Que a dança da tarde seja para ti.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ressoa-me na mente a sociedade espartilhada, consumidora e de mente fechada.

Quase ninguém anda como gostaria, ou veste o que quer, ou reage de acordo com o que sente, com receio que as suas próprias palavras pétridas, cheias de vergonha escondida, possam alojar-se na língua de outros igual a si e se dirijam à sua pessoa.

Deparo-me muitas vezes, com gente a olhar-me de "relance" e de alto a baixo, absorvendo cada pormenor da minha vestimenta e maneira de andar.
Depois e sem mais nada onde gastar energia, começam a comentar entre si:
-"Olha, lá vai a viúva!"
ou:
- "Secalhar morreu-lhe alguém!"
ou ainda numa conversa entre amigas: 
- "Conheço uma rapariga que se vestia de preto, nunca sorria, diz que sofreu muito, tinha problemas com o corpo, não tinha namorados."
- "Ai sim?"
- "Sim. Eu ajudei-a. Arranjei-lhe um namorado e ela ficou contente."

No final, depois de soltar um suspiro, vejo o que escondem as palavras.
Todas essas mulheres sonhavam andar de vestidos longos rastejantes, cheios de rendas e veludos, poderem libertar-se no seu mundo interior feminino, contido.
No entanto, receiam as mesmas palavras que cospem ao mundo.
Limitam-se. Fecham-se. Criam medos, angústias, bloqueios, preconceitos, modelos, esteriótipos em massa.
Criam a  insegurança que lhes provoca uma sede mórbida de criticarem sem limites, para que, depois, possam sentir-se melhor com a ilusão de que o outro/a ficou pior do que elas, após as suas belas palavras de (des)encorajamento.
O mal, é que essa ilusão dura pouco.

Dizer-lhes-ia para investirem aquela imensa energia ao seu real bem estar, que se encontra já dentro delas e não fora, onde insistem que seja.
Dizer-lhes-ia para libertarem e que materializassem os sonhos, sem medo das línguas alheias.
Dizer-lhes-ia para aceitarem o próximo como é realmente, sem influência do gosto próprio ou de preconceitos que lhes sejam naturais.
Dizer-lhes-ia que cada uma delas é única e especial, bonitas na sua essência de mulher. Que cada uma delas é uma grande potencial ao carisma feminino divino, à felicidade arrebatadora e sem nunca ficarem sós.

Dizer-lhes-ia que tudo depende da forma como olhamos as coisas:

Perguntar-lhes-ia o que é a luz: se a ausência de escuridão, ou o outro lado da escuridão.
Perguntar-lhes-ia o que é a escuridão: se a ausência de luz, ou o outro lado da luz.
Perguntar-lhes-ia se saberiam o que era a escuridão se não existisse luz, ou se saberiam o que era a luz se não existisse a escuridão.

E faria ainda uma pergunta mais simples, sem tantos simbolismos:
Qual é a diferença entre o negro traje académico e as minhas vestes diárias?
Bem, provavemente responderiam:
"Ah, mas o traje é uma tradição de há muitos anos."
E eu perguntaria:
"E porquê a côr negra?"
O mais provável, era ficarem sem resposta, pois a maioria atira-se à tradição só porque é tradição e não por um verdadeiro motivo.
No entanto, o traje é negro! Preto! A côr do luto e da tristeza em terras lusas. E eles/elas carregam com orgulho o pesado e quente traje.

E nesse orgulho quase inconsciente na côr negra, olham-me de lado só e apenas porque me visto de negro.

Mas eu deixo uma novidade: nem sempre ando totalmente de negro.
Há dias em que me sinto azul, violeta, vermelho, dordeaux, em degradé, com padrões...
E não encaro o negro como uma côr "triste" ou "negativa", nem nenhuma outra côr como tal.
Tal como não considero nenhuma côr "feliz" ou "positiva".
O ser "triste" ou "negativo" não existe numa côr, a côr é apenas isso mesmo, uma côr. Um reflexo visual da incidência da luz sobre os materiais.
O ser "triste", "negativo", "feliz" ou "positiva" numa côr reside apenas no nosso estado de espírito e mais uma vez, na forma como olhamos para as coisas.

Libertem-se.